psiquiatria comportamental (contextual)
e se o estado natural do ser humano não fosse estar livre de sintomas e eternamente feliz?
e se nossa relação com pensamentos críticos, emoções dolorosas e sensações desconfortáveis fosse parte essencial de uma vida plena?
a psiquiatria comportamental/contextual surge como uma abordagem que nos convida a repensar nossa relação com o sofrimento psíquico e as respostas emocionais desconfortáveis
em vez de enxergar os sintomas como sinais de uma doença que precisa ser eliminada, consideramo-os indicadores de que algo naquele indivíduo ou no seu contexto de vida requer atenção
o sofrimento, sob essa perspectiva, pode ser um catalisador de mudanças significativas na direção de uma vida valiosa
por que às vezes parece que quanto mais tentamos ficar menos angustiados, pior ficamos?
com base no comportamentalismo radical e na teoria da evolução, entendemos que nosso organismo evoluiu com um sistema sofisticado de detecção de ameaças. Este sistema, vital quando enfrentávamos predadores, hoje continua ativo, reagindo a ameaças simbólicase sociais
tentamos desesperadamente eliminar essas reações, pensamentos e emoções desconfortáveis, agora de forma pouco adaptada ao nosso modo de vida urbano e acelerado, sem sucesso.
são justamente nossas tentativas de nos livrar desse desconforto todo que frequentemente nos levam ao sofrimento prolongado.
como uma areia movediça, quanto mais lutamos para escapar, mais nos afundamos
e qual o objetivo do tratamento? nessa perspectiva, buscamos desenvolver autoconhecimento, novas habilidades, autonomia e flexibilidade psicológica – a capacidade de estar em contato com experiências internas desafiadoras enquanto movemos nossa vida na direção dos nossos valores mais profundos
quando prescrevemos medicamentos, por exemplo, os usamos como ferramentasque podem ajudar as pessoas a se engajarem mais plenamente nas áreas de vida que importam a elas, a mudar o que precisa ser mudado
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[arte: gabriela berghahn | cw: brunna oliveira]