um conceito: amor
o que existe é o ato de amar — ou melhor, infinitas e sempre novas formas de amar a cada encontro e contato mútuo, repetidamente.
o amor é a quintessência de uma relação de ressonância com o mundo social
amar tem a ver com os atos de perceber outra pessoa, comover-se, emocionar-se, e abrir-se para um caminho incerto. Envolve uma forma de aposta que arrisca a mudança para o imprevisível.
um outro risco é o fusionar-se, que implica em perder a individualidade e se afastar das outras relações de amor-amizade que tinha até então. Daí a importância do saber ser solitário e manter outras redes de amor-amizade.
não há como enxergar rupturas entre amizade e amor
o amar sofre com imposições sociais sobre o que seria o “amor verdadeiro”. Transpõe-se ao Amor a moralidade patriarcal e a lógica da propriedade privada: um papel masculino dominador-agente e um papel feminino submisso-passivo. Em paralelo, as relações de amizade são relegadas como algo inferior e distinto, uma vez que necessariamente horizontais e livres.
ao cabo, fora dessas imposições opressivas todo ato de amar é potencialmente um ato político — de luta por liberdade.
Quando escolhemos amar, escolhemos nos mover contra o medo
(bell hooks)
referências: bell hooks, tudo sobre o amor | hartmut rosa, resonance: a sociology of our relationship to the world | catarina kasten, pela forma como se relacionava com o mundo
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[arte: gabriela berghahn | cw: brunna oliveira]