um filme: worst person in the world
sei que algum filme me marcou, quando mesmo após tê-lo assistido, volta e meia, diálogos ou cenas continuam a ressoar nos meus dias
foi isso o que aconteceu quando assisti ‘Worst Person in the World’. fiquei surpreso com as atuações que nem parecem ser performances de tão verdadeiras. a obra-prima do diretor Joachim Trier, explora as angústias e dilemas existenciais de uma millennial em caminhos cheios de incertezas quanto a sua identidade, a vida amorosa e o trabalho.
em pouco mais de 2h de filme, acompanhamos as cenas da vida de Julie em quatro anos cruciais de transição, por volta dos 30 anos. vai do cômico ao romântico e ao drama trágico, e daí à serenidade de estar em consonância com o que se é.
quando pensamos no processo de psicoterapia ou em um acompanhamento psiquiátrico, é possível enxergar certa semelhança com o que é vivido pela a protagonista ao passar por uma fase de alienação consigo mesma, de instabilidades em diversos aspectos da vida e de um profundo sentimento de vazio.
vemos então o reflexo da psicoterapia acontecer ao longo do tempo nas cenas do filmes. progressivamente, Julie parece chegar mais perto de um estado de conexão consigo mesma, de possibilidade de encontrar sentido para seu caminho e de disposição a bancar seus desejos, suas ações e amores.
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[gabriela berghahn (arte) e brunna oliveira (cw)]